27 Fevereiro 2026

Choque na Taça da Liga e as Ondas de Choque no Mercado: O Sporting Resiste enquanto o Palace Ferve

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Vitória faz história em Leiria com final de loucos

O Vitória de Guimarães carimbou esta terça-feira, pela primeira vez na sua história, o passaporte para a final da Taça da Liga. Num desfecho verdadeiramente dramático e impróprio para cardíacos, a equipa minhota deu a volta ao Sporting em pleno tempo de compensação, garantindo um triunfo por 2-1 graças a um bis heroico de Alioune Ndoye.

A primeira parte em Leiria pautou-se por um grande equilíbrio e uma intensidade assinalável no relvado. Os conquistadores até começaram por apertar mais na pressão, mas a eficácia verde e branca acabou por vir ao de cima. Depois de um primeiro aviso de Francisco Trincão, de fora da área, o mesmo Trincão decidiu vestir a pele de assistente. Num passe magistral, descobriu Luis Suárez que, de pé esquerdo e já dentro da área, atirou a contar para inaugurar o marcador. A resposta não tardou. Gonçalo Nogueira testou a baliza adversária com um remate forte, valendo aos leões o corte providencial de Matheus Reis, que se atirou ao chão para evitar o empate.

Aos 24 minutos, o infortúnio bateu à porta do técnico Rui Borges. Fotis Ioannidis lesionou-se, cedendo o lugar a Alisson. Mesmo com esta contrariedade, o Sporting mantinha algum domínio e só não dilatou a vantagem por culpa de Charles. O guarda-redes do Vitória encheu a baliza com duas intervenções gigantescas num curto espaço de tempo, travando um disparo frontal de Suárez e, instantes depois, negando o golo a Alisson perto da pequena área. Antes do apito para o descanso, Rodrigo Abascal ainda tentou um remate monumental desde antes da linha de meio-campo. A bola levava selo de golo, mas a atenção redobrada de Rui Silva impediu um autêntico desastre leonino.

O muro chamado Charles e o castigo nos descontos

O recomeço da partida trouxe uma toada semelhante, com o Sporting a criar calafrios constantes. Francisco Trincão, após cruzamento de Alisson Santos, teve tudo para ampliar a vantagem, mas falhou o desvio na cara do golo. Pouco depois, João Simões também esbarrou na inspiração de Charles. Já a rondar a hora de jogo, um contra-ataque venenoso conduzido por Trincão acabou num forte remate de Suárez, novamente travado pelo guardião vimaranense.

As dores de cabeça para Rui Borges aumentaram quando Eduardo Quaresma teve de sair de maca após um violento choque de cabeças com Samu. Entraram Morita e Rômulo, para os lugares de Quaresma e Flávio Gonçalves, mas o Vitória começava a crescer a olhos vistos. Aproveitando os espaços deixados pela defensiva leonina na busca pelo empate, os minhotos foram ganhando terreno. Do outro lado, Charles ia segurando a equipa no jogo com defesas de alto nível, negando o golo a Alisson, a Matheus Reis e, num golpe de rins impressionante, a Morita, após excelente trabalho de Trincão.

A velha máxima do futebol ditou as suas leis. Quem não mata, morre. Já nos descontos, Tony Strata tirou um cruzamento teleguiado da direita e Ndoye, ao segundo poste, fez o golo do empate. Quando todos já se preparavam para o prolongamento ou para as grandes penalidades, o impensável aconteceu no último suspiro do encontro. Uma excelente jogada de Saviolo pela esquerda encontrou novamente Ndoye no coração da área. O desvio certeiro selou a reviravolta no marcador. O Sporting despede-se da prova com queixas apenas de si próprio e da exibição colossal de Charles.

A blindagem de Diomande perante a cobiça inglesa

Apesar do balde de água fria nas quatro linhas, a estrutura leonina mantém-se firme e irredutível nos escritórios, especialmente no que toca ao intenso assédio da Premier League aos seus principais ativos. O Crystal Palace, a braços com as suas próprias urgências, olhava para Ousmane Diomande como o sucessor natural de Marc Guehi. O ex-capitão dos londrinos foi transferido para o Manchester City em janeiro, não tendo chegado qualquer substituto antes do fecho da janela de transferências de inverno.

As esperanças britânicas bateram, no entanto, de frente com a intransigência do emblema de Alvalade. O internacional marfinense prolongou recentemente a sua ligação ao Sporting até junho de 2030, ficando protegido por uma cláusula de rescisão fixada nos 80 milhões de euros. Perante esta blindagem contratual, a direção do Palace, conforme apurado pela Sky Sports, já considera a contratação do defesa-central um cenário completamente fora da sua realidade financeira atual.

Aviso à navegação no caos de Selhurst Park

Este falhanço no mercado não vem em boa hora e apenas agudiza a profunda crise de estabilidade que se vive no seio do Crystal Palace. Com a saída quase certa do técnico Oliver Glasner no final da presente época e as perdas pesadas de figuras como Eberechi Eze e do próprio Guehi, que foram cruciais na conquista da FA Cup da época transata, adivinha-se uma autêntica revolução em Selhurst Park. O descontentamento já saltou para as bancadas. No passado domingo, os adeptos manifestaram a sua frustração exibindo uma tarja bem clara: “Oportunidades perdidas – direção inepta. Adeptos desrespeitados – Glasner acabado.”

No meio deste ambiente inflamado, o guarda-redes Dean Henderson decidiu vir a público deixar um aviso muito sério aos companheiros de balneário que já possam ter a cabeça num eventual salto para outros clubes. O guardião, que garantiu a vitória no fim de semana passado ao defender um penálti contra o Wolves, não teve papas na língua. Quem não demonstrar rendimento em campo, dificilmente arranjará um bom contrato noutras paragens.

Na antevisão da segunda mão da Conference League frente aos bósnios do Zrinjski Mostar, Henderson tentou apaziguar os ânimos. Garantiu que o plantel mantém total confiança nas ideias de Glasner e vincou a necessidade de dar uma resposta positiva aos adeptos. A receita passa agora por recuperar o ritmo das vitórias para conseguir salvar uma temporada marcada por enormes sobressaltos, mantendo vivo o sonho europeu.