12 Maio 2026

O rolo compressor de Farioli não abranda: domínio na I Liga e a ambição de seduzir Lewandowski

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O dragão respira confiança e não parece estar para brincadeiras. Esta segunda-feira, o Estádio do Dragão voltou a ser palco de mais uma demonstração de força da equipa de Francesco Farioli. Com um categórico 3-0 frente ao Gil Vicente, no jogo que fechou as cortinas da 19.ª jornada, o FC Porto carimbou a impressionante marca de 11 vitórias consecutivas na I Liga. É uma fase de embalo brutal que consolida os azuis e brancos no topo da tabela, isolados com 55 pontos. O fosso para a concorrência começa a ser pesado: o Sporting já vai a sete pontos de distância e o Benfica de José Mourinho, num amargo terceiro lugar, vê o líder a 10 pontos.

O duelo contra os gilistas foi um reflexo puro da mecânica afinada desta equipa. O bloco forasteiro até tentou resistir e fechar caminhos, com Daniel Figueira a ter trabalho na baliza, mas a teia começou a desfazer-se aos 37 minutos, quando Samu não perdoou da marca de grande penalidade. A vida da malta de Barcelos ficou ainda mais negra no segundo tempo. Martín Fernández mal tinha entrado em campo — durou literalmente dois minutos no relvado — e viu a cartolina vermelha aos 69, deixando os visitantes reduzidos a dez. A partir daí, o Porto fez o que quis do jogo. Martim Fernandes ampliou a vantagem aos 75 minutos e, já na reta final, William Gomes fuzilou as redes para fechar as contas aos 86, a passe do incansável Pablo Rosario após uma transição rápida. Foi uma noite redonda, que atirou o Gil Vicente para a quinta posição (31 pontos), cedendo o quarto lugar ao Sporting de Braga, num jogo que ainda teve tempo para alguns calafrios com queixas físicas de Diogo Costa perto do apito final.

Com o campeonato muito bem encaminhado e uma superioridade que parece inabalável, a estrutura portista já está a projetar o futuro com uma ambição desmedida. Nos bastidores, corre o rumor forte de que o FC Porto está a preparar a oferta de um contrato de curta duração a ninguém menos que Robert Lewandowski. O matador polaco de 37 anos continua a ser um animal de área — já soma 18 golos e quatro assistências pelo Barcelona esta época. Os catalães puseram-lhe na mesa uma renovação com um corte salarial substancial, e o seu agente, Pini Zahavi, anda por estes dias pela cidade condal a avaliar cenários. No Dragão, a ideia passa por fazer de Lewandowski o substituto direto de Luuk de Jong no eixo do ataque.

A grande cartada da direção portista para convencer o craque assenta numa estratégia muito curiosa: a “família polaca” da Invicta. O balneário do Porto já conta com os internacionais Jan Bednarek e Jakub Kiwior, que têm feito um trabalho de charme, encorajando o veterano a rumar a Portugal para ser a referência indiscutível da equipa. Mas a peça central deste xadrez atende pelo nome de Oskar Pietuszewski. O jovem extremo, que até saltou do banco no jogo contra o Gil Vicente para render Pepê aos 76 minutos, é tido como a grande promessa do futebol da Polónia. O Porto quer usar Lewandowski não só para garantir golos de rajada, mas para atuar como mentor e padrinho deste miúdo maravilha no plantel principal.

Financeiramente, é natural que a proposta azul e branca não bata os números estratosféricos de outros mercados, mas o projeto desportivo vende-se por si só. Oferece a garantia de jogar ao mais alto nível na Liga dos Campeões e num plantel talhado para o sucesso interno. A concorrência, claro, não é pera doce. Tubarões italianos como a Juventus e o AC Milan mantêm-se à perna, enquanto o Chicago Fire acena com o estatuto de figura de cartaz na MLS. Para não falar do assédio das arábias, que continuam a pressionar.

No meio disto tudo, Lewandowski hesita. A vida em Barcelona é imensamente confortável para a sua família, e saber que o grande amigo Wojciech Szczesny deverá continuar no clube na próxima época é um fator de peso. O polaco sente que ainda tem pernas para discutir a titularidade e tenciona ter uma conversa franca com Hansi Flick para perceber exatamente com o que pode contar na Catalunha. Resta saber se o fascínio de um Porto demolidor e repleto de compatriotas será suficiente para consumar aquela que seria uma das transferências mais mediáticas da história recente do futebol português.