4 Fevereiro 2026

Lakers afundam-se frente aos Clippers num cenário de incerteza contratual

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Os Los Angeles Lakers sofreram mais um revés na sua temporada, perdendo por 112-104 frente aos rivais citadinos, os Clippers, na passada quinta-feira no Intuit Dome. Este resultado marca a sexta derrota da equipa de JJ Redick nos últimos nove jogos, acentuando um momento de forma preocupante que contrasta vivamente com o do adversário. Enquanto os Clippers vivem uma fase de renascimento, tendo vencido 14 das últimas 17 partidas desde o final de dezembro — uma reviravolta dramática face ao seu registo anterior de 6-21 —, os Lakers parecem estar numa espiral negativa que levanta questões sérias, não só sobre o desempenho em campo, mas também sobre o futuro do plantel.

O regresso de Kawhi e a quase recuperação dos Lakers

O encontro ficou marcado pelo regresso de Kawhi Leonard, após três jogos de ausência devido a uma contusão no joelho esquerdo. O impacto de Leonard foi imediato e decisivo: o extremo registou 24 pontos em 25 minutos, convertendo 9 em 19 lançamentos de campo. Apoiados pela eficácia da sua estrela e por um domínio claro durante grande parte do encontro, os Clippers chegaram a deter uma vantagem confortável de 26 pontos (79-53) a meio do terceiro período, após um afundanço de Ivica Zubac.

No entanto, os Lakers demonstraram resiliência. Através de um parcial de 34-14, a equipa “visitante” foi corroendo a desvantagem, reduzindo a diferença para apenas dois pontos (93-91) a menos de seis minutos do fim, graças a um triplo em fadeaway de Luka Doncic. O esloveno foi o melhor marcador do jogo com 32 pontos, somando ainda 11 ressaltos e 8 assistências, embora tenha demonstrado alguma ineficácia no lançamento (11 em 27).

Nos momentos decisivos, a frieza dos Clippers prevaleceu. James Harden respondeu prontamente com um triplo para travar o ímpeto dos Lakers, e John Collins contribuiu com um cesto crucial. Um lance determinante ocorreu quando o treinador dos Clippers, Ty Lue, ganhou um challenge na arbitragem, transformando uma falta que daria lances livres a Marcus Smart numa falta a favor da sua equipa, o que permitiu dilatar a vantagem. Apesar dos esforços finais de LeBron James — que terminou com 23 pontos após uma primeira parte discreta — e de um triplo tardio falhado por Rui Hachimura, um afundanço de Zubac e um triplo de Collins selaram o destino da partida.

O “fator humano” e a ansiedade da agência livre

Para além da derrota, o que paira sobre a organização dos Lakers é a incerteza contratual que parece estar a afetar a coesão do grupo. Com a equipa a perder 10 dos últimos 17 jogos, JJ Redick reconheceu que existe um “elemento humano” difícil de gerir: a preocupação dos jogadores com as suas estatísticas individuais e o seu futuro financeiro.

“Os rapazes estão preocupados com o seu futuro”, admitiu Redick após o jogo. “É o que acontece quando se tem uma equipa cheia de agentes livres e opções de jogador. É natural que se preocupem com o ataque… Começa a entrar na cabeça: ‘Joguei cinco minutos e ainda não lancei’. Não é culpa de ninguém, é humano”.

A situação contratual dos Lakers é, de facto, complexa. O clube tem oito potenciais agentes livres para a próxima época. Cinco jogadores estão no último ano dos seus vínculos, incluindo nomes de peso como LeBron James, Rui Hachimura, Gabe Vincent, Maxi Kleber e Jaxson Hayes. Adicionalmente, Austin Reaves, Deandre Ayton e Marcus Smart possuem opções de jogador. No caso de Reaves, embora tenha essa opção, é esperado que teste o mercado, onde os Lakers poderão oferecer-lhe o contrato mais lucrativo, ascendendo a 241 milhões de dólares por cinco anos.

Profissionalismo em tempos de crise

Esta ansiedade em torno da renovação contratual, combinada com os maus resultados, cria uma atmosfera tensa no balneário. Rui Hachimura foi sincero na sua análise: “Estou aqui há quatro épocas e todos os anos é quase a mesma coisa, mas diferente. Tens de sobreviver, por isso eu percebo. Falámos antes da época que ganhar ajudaria a resolver tudo. Temos de nos focar nisso”.

Marcus Smart também abordou a dicotomia entre o interesse individual e o coletivo. “É difícil. Temos rapazes a lutar por contratos, a lutar para ficar na equipa, e outros que estão seguros e já têm o seu garantido”, explicou Smart. “Mas, ao mesmo tempo, somos todos profissionais e temos de fazer o nosso trabalho, aconteça o que acontecer. O elemento humano entra em jogo, mas temos de ser capazes de sair desse estado mental mais rapidamente do que estamos a fazer”.

Com a equipa a meio de uma digressão exigente de oito jogos fora de casa, e com o próximo embate agendado para Dallas, os Lakers precisam urgentemente de compartimentar o lado negocial da NBA e focar-se no jogo. Caso contrário, o “fator humano” poderá continuar a minar as aspirações da equipa nesta temporada.